Google+ Followers

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A paixão de Cristo segundo São João da Cruz





“Tendo dito que Cristo é o caminho e que, para segui-lo, é preciso morrer à própria natureza tanto nas coisas sensíveis quanto nas espirituais, quero explicar agora como se realiza isto; pois ele é nosso modelo e luz.

Quanto ao primeiro ponto, é certo que Nosso Senhor morreu a tudo quanto era sensível, espiritualmente durante a vida e naturalmente em sua morte. Na verdade, segundo suas próprias palavras, não teve onde reclinar a cabeça na vida e muito menos na morte. Quanto ao segundo ponto, é manifesto ter ficado na hora da morte também aniquilado em sua alma, sem consolo nem alívio algum, no desamparo e abandono do Pai, que o deixou em profunda amargura na parte inferior da alma. Tão grande foi esse desamparo que o obrigou a clamar na cruz: “ Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparastes?( Mt 27, 46). Nessa hora em que sofria o maior abandono sensível, realizou a maior obra que superou os grandes milagres e prodígios operados em toda a sua vida: a reconciliação do gênero humano com Deus, pela graça. Foi precisamente na hora do maior aniquilamento do Senhor em tudo que essa obra se fez: aniquilamento quanto à sua reputação, reduzida a nada aos olhos dos homens, e estes, vendo-o morrer na cruz, longe de estimá-lo, dele zombavam; quanto à natureza, pis nela se aniquilava morrendo; e, enfim, quanto ao seu espírito igualmente exposto ao desemparo pela privação do consolo interior do Pai que o abandonava para que pagasse puramente a dívida da humanidade culpada, efetuando a obra da redenção nesse aniquilamento completo. Profetizando sobre isso diz Davi: “Também eu fui reduzido a nada e não sabia” ( Sl 72, 22). Compreenda agora o bom espiritual o mistério dessa porta e desse caminho – Cristo – para unir-se com Deus. Saiba que quanto mais se aniquilar por Deus segundo as duas partes, sensitiva e espiritual, tanto mais se unirá a ele e maior obra fará. E quando chegar a reduzir-se a nada, isto é, à suma humildade, se consumará a união da alma com Deus, que é o mais alto estd que se pode alcançar nesta vida. Não consiste a vida cristã em recreações, nem gozos, nem sentimentos espirituais e sim, numa viva morte de cruz para o sentido e para o espírito, no interior e no exterior.” In: São João da Cruz. A Subida do Monte Carmelo. Editora Vozes, Petrópolis, 2010. P. 117.


Todos pediam sua morte, todos O odiavam, todos O injuriavam. Tudo isto fazia Jesus sofrer imensamente mais que as inexprimíveis dores que pesavam sobre seu corpo. E havia pior. Havia o pior dos males. Havia o pecado, o pecado declarado, o pecado protuberante, o pecado atroz. Se todas aquelas ingratidões fossem feitas ao melhor dos homens já seriam absurdas, mas elas eram feitas ao Homem – Deus e constituíam contra a Trindade Santíssima um pecado supremo. Eis aí o mal da injustiça e da ingratidão. “- Plínio Correa de Oliveira; in: Via Sacra. Pigma Gráfica e Editora, São Paulo, 2017. P. 11

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bergoglio promove nova via sacra para limpar a barra dos judeus

 
A associação de Bergoglio a judeus como Skorka, na foto acima, é abjeta, escandalosa e ofensiva. Os judeus são inimigos arqui-seculares da Igreja Católica a quem desejam destruir.  
 
 
 
 
 
 
Já não bastassem as vias sacras escandalosas realizadas nas últimas duas JMJs - Rio 2013 e Cracóvia 2016 ( http://www.traditioninaction.org/RevolutionPhotos/A691-Stations.htm) - teremos amanhã, em Roma, mais um ato ofensivo à memória da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo ( http://www.acidigital.com/noticias/as-novas-estacoes-da-via-sacra-do-papa-francisco-na-sexta-feira-santa-63874/).
 
O Vaticano optou por nomear uma biblista francesa, Anne-Marie Pelletier, para organizar a via sacra deste ano. A sr. Pelletier decidiu inovar inserindo novas estações com o seguinte fito:
 
"Então, “decidi inserir a negação de Pedro e a cena em que Pilatos, consultado pelas autoridades judaicas, declara também ele que Cristo deveria ser crucificado. Para mim era muito importante querer recordar, nesta circunstância, judeus e pagãos unidos na cumplicidade da condenação à morte de Jesus”."
 
A declaração da biblista é sintomática: o objetivo é reduzir o papel e a culpa dos judeus no processo de Jesus. A finalidade é colocar no mesmo plano a culpa de pagãos e judeus. Porém não é isso que Nosso Senhor Jesus Cristo diz no seu evangelho. 
 
Os judeus podiam tê-lo reconhecido como profeta, messias e Deus mas se recusaram, por pura má vontade. Os romanos não o conheceram porque não tinham as profecias. Erraram mais por ignorância que por malícia: ainda que Pilatos soubesse que Jesus era um homem justo, aplicou a sentença mais por medo do povo que por ódio a Cristo. Bem diferente foi o caso dos Judeus que odiavam Cristo e queriam matar-lhe desde os primórdios de seu ministério. Em Nazaré, quando anunciou na Sinagoga que nele se cumpriam as profecias que Isaías tinha feito acerca do tempo de graça que seria inaugurado pelo Messias, tentaram lançá-lo de um penhasco, mas disso se livrou Jesus, fugindo em meio a confusão causada pelos Judeus. Tão grande era este ódio que se dizia que "todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus."(João 7,13).  
 
O mesmo evangelho decreta a suprema culpabilidade dos Judeus: "Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem. Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.(João 19, 5-11).
 
Sabemos bem a quem isso serve: reduzir a culpa judaica ajuda a criar uma aura de positividade sobre o povo deicida. E isso prepara o advento do Anticristo judeu (http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2016/01/o-anticristo-e-o-papel-dos-judeus-nos.html).
 
 Bergoglio está a trabalhar, decisivamente, para subjugar a Igreja à influência judaica o que, no fim das contas, submeterá a organização eclesiástica ao poder do falso messias hebraico quando ele se apresentar. Basta ligarmos os pontos: a ONU é uma organização inspirada num ideário judaico como já mostramos aqui ( http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2014_08_01_archive.html); Bergoglio vem dobrando-se à ONU ( http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2014/01/a-tacada-final-para-o-anticristo-onu.html), além de manter proximidade a vários rabinos de proa. Agora favorece, explicitamente uma nova via sacra que reduz a culpa dos hebreus no assassinato de Deus.
 
Quem tem olhos de ver que veja!
 
Rafael G. Queiroz.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Olavo confessa que não é católico!




Senhores, desta vez não há mais para onde os aluninhos "católicos" do guru paulista correrem. Não é mais possível dizer que ele é católico, pois o mesmo acaba de afirmar que não é. 


Pois vejamos: 






Reparem; Olavo diz textualmente que:

1- Mesmo depois da queda de Adão a nossa inteligência pode alcançar POR SI MESMA, POR SUAS FORÇAS, o infinito e o absoluto, ou seja, Deus. 

Contra isso diz a Igreja: 

" Nas condições históricas em que se encontra o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão

[...] As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis...a inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original" - Catecismo da Igreja Católica, número 37(In: Pio XII, Encíclica Humani Generis).

2- A inteligência é que dá acesso a esfera do infinito ( a esfera do divino )

Contra isso diz a Igreja que, mesmo no estado pré-queda, Adão foi elevado a esfera do infinito - da união com Deus - pela graça. 

Olavo nega os efeitos do pecado original e o papel da graça. 


Para não deixar dúvidas de que o mesmo nega o papel da graça mas uma confissão do próprio:


Vejam que ele frisa o SOMENTE!

Somente o cultivo da inteligência leva o homem para além e acima de si. É como se a inteligência humana fosse, no fundo, divina. 


Isso mostra que Olavo continua seguidor das doutrinas do esotérico e maçom René Guénon pois vejamos: 

1- Guénon diz que o Intelecto humano é o próprio Logos divino, e que, por isso, o conhecimento identifica sujeito e objeto; que conhecer é ser; 

2- Guénon usa intelectualidade como sinônimo de espiritualidade, já que, para ele, e para os "tradicionalistas", o Intelecto humano é o Espírito divino, o Logos:

"não pode haver para ele - para o homem - nenhuma diferença efetiva entre seu espírito e o intelecto, nem, em conseqüência, entre espiritualidade e intelectualidade verdadeiras."(René Guénon, Espírito e Intelecto in Mélanges, p.52).

Ora esta é a mesma doutrina de Olavo, confessada por ele em 1998; ele continua o mesmo, pensando igual; apenas disfarça bem o seu perenialismo sob a capa de uma mentirosa conversão ao catolicismo:

"a Filosofia no sentido mais puro", buscando "a unidade do conhecimento" encontra Deus no mais fundo da consciência humana " (Cfr. Olavo de Carvalho, Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, bloco 8, junho de 1998, p. 15).

Vejam o que Olavo dizia outrora: 

"O que dá sua coerência e inteireza ao conhecimento é a unidade do sujeito cognoscente, mas não num sentido kantiano, pois não se trata aqui do sujeito individual - ou geral, que é uma simples extensão do individual - e sim do sujeito identificado e reintegrado ao Absoluto... A unidade do mundo repousa na unidade do Intelecto, ou Logos, que é a unidade de Deus". (Olavo de Carvalho, Astrologia e Religião, p. 63-64). 

"Deus não é "exterior" à consciência: é o seu núcleo mais íntimo e pessoal" "Todo ser humano possui esse núcleo". "Descoberto sob a dupla aparência de consciência e de presença, é o mesmo Logos, a mesma Inteligência que se manifesta dentro e em torno de nós, que dialoga comigo sempre que um homem vê uma pedra e a pedra é mostrada ao homem"(Olavo de Carvalho, artigo Lux in Tenebris", in Jornal da Tarde, 25- XII- 1997).


Então, segundo Olavo, o homem teria faculdades em comum com o próprio Deus. 


O guru ainda dá ênfase ao esforço intelectual mais que ao moral na vida espiritual:


A Igreja, no que tange a vida espiritual, sempre frisou a necessidade do combate moral à tríplice concupiscência e as más paixões; mas Olavo seguindo Guénon que coloca a moral no plano da ação, logo coloco-a no plano da manifestação o que em sua teoria esotérica é o mundo da ilusão:

Manifestação=ação=ilusão x metafísica=inteligência= verdade. 

Por que Guénon põe a moral no plano da ilusão e engano? Porque ele, como bom esotérico, advoga que este mundo é fruto da criação do Demiurgo, um ser inferior ao Deus Infinito. Este mundo não seria exatamente criação de Deus e nem a moral que rege nossa conduta, seria decorrente de Deus mas sim do Demiurgo. Por isso o repúdio à moral e a exaltação do intelecto como meio de se libertar e atingir Deus. 

Para provar de vez que Olavo considera que é a vida intelectual o topo da vida espiritual e não as virtudes cristãs teologais - fé, esperança e caridade - vejamos:




Olavo diz que:

1- Alta cultura é a MÁXIMA PERFEIÇÃO DA CONSCIÊNCIA

2- Alta cultura é a parte mais NOBRE DA ASCESE ( E a penitência? E o combate espiritual?)


Mediante tais critérios nos perguntamos como santos analfabetos como Santa Joana D' Arc e São Benedito, ou santos com imensas dificuldades cognitivas, como São João Maria Vianney, puderam se santificar já que estavam completamente alheios a alta cultura!

O que fica de tudo isto é que devemos duvidar, decididamente, da capacidade cognitiva de católicos que ainda conseguem ver na doutrina olavista alguma compatibilidade com a fé da Igreja. Chamar um miserável como Olavo de "filósofo católico" é uma blasfêmia. O homem continua seguidor da Gnose de Guénon e só finge ser católico para penetrar os postulados esotéricos na Igreja via criação de uma elite intelectual a seu serviço. 


Rafael G. Queiroz



terça-feira, 28 de março de 2017

O movimento monarquista no Brasil e a maçonaria: Quo Vadis Dom Bertrand?

É claro que a monarquia é bem superior à democracia, sobretudo a de massa. Mas toda "monarquia" que busque seu fundamento abaixo de si, não acima, que se estabeleça por princípios profanos e materialistas, deve ser ridicularizada. Uma família real não faz uma monarquia; princípios superiores fazem uma monarquia. Toda "monarquia" baseada exclusivamente no elemento "humano", que, negligente com o elemento "divino", apele a alianças econômicas e discursos humanistas não passa de um simulacro de monarquia, uma casca vazia, um corpo sem alma, uma marionete de liberais. Ao rebaixar o fundamento da monarquia ao mundo profano dos homens, os "monarquistas" se filiam à estratégia discursiva moderna, a mesma que corroeu todas as monarquias por dentro. Como escreve Joseph de Maistre: "É Deus que faz os reis, literalmente. Ele prepara as estirpes reais; amadurece-as no meio de uma nuvem que encerra as suas origens. Elas depois surgem coroadas de glória e de honra; impõem-se - e é esse o maior sinal da sua legitimidade".


Em  mais uma manifestação da "falsa direita" brasileira, ocorrida em 26/03/2017, ficou evidenciado quais são as forças que estão por trás dela. Há, é verdade, um apelo de participação aos conservadores, embora as manifestações sejam feitas sob os auspícios do MBL, organismo francamente liberal que chega a defender em seu programa político o "Fim da função social da propriedade. A propriedade privada não pode ser relativizada."(https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/mbl-wordpress-s3/wp-content/uploads/2016/05/26222920/propostas-mbl.pdf). 

A convocação de uma direita conservadora às manifestações visa, nada mais que, capturá-la para dentro do projeto liberal, este sim muito mais articulado, organizado, estruturado e com dinheiro de sobra para fazer suas pautas serem colocadas em prática. Ademais, a aliança conservadora - liberal é uma impossibilidade lógica, dado que um conservador, que se caracteriza por prezar costumes morais tradicionais, não poderá endossar, numa possível composição política entre estas duas forças em um regime hipotético de governo futuro, por exemplo, a liberdade econômica de criar uma empresa de filmes eróticos, o que afetaria a preservação de bons costumes dentro da sociedade; por outro lado, um bom liberal não vai defenestrar a empresa de filmes eróticos, pois isso poria em xeque o dogma do livre mercadismo. A pergunta que fica é que critério iria prevalecer nesse caso e em tantos outros: o da liberdade de ação econômica ou o da valorização dos costumes? Mas, apesar dessa impossibilidade lógica de conciliar as duas facções, há um número enorme de imbecis no Brasil que apostam nessa aliança espúria, aliança que só tem trazido avanços para as pautas liberais. 

Durante os protestos pró-impeachment foi o que vimos nas ruas: liberais e conservadores gritando contra Dilma. Ela caiu mas Temer, até aqui, só favoreceu políticas liberais. 

A razão disso nós mesmos já dissemos diversas vezes: só há a possibilidade de extrair ganhos reais com alianças deste tipo, contra inimigos comuns, quando se tem uma estrutura que permita forçar o lado oposto a fornecer vantagens concretas. Um exemplo clássico é o do partido nazista na Alemanha: enquanto ele era apenas um entre vários partidos nacionalistas, Hitler se recusou a fazer alianças. Depois que ele conquistou o monopólio sobre a oposição nacionalista no país e obteve boa votação, nos albores da década de 30, aceitou fazer coalização com os conservadores do General Hindenburg. Em 1933, Hitler consegue ser nomeado primeiro ministro, porque já estava numa posição de força que permitia composição sem ter de deixar de lado os princípios do NSDAP. 

Todavia, a nossa direita conservadora é inculta demais para entender isso. Some-se o fato de ser teleguiada por gurus que advogam liberdades econômicas junto com costumes morais, passando a impressão, para o "gado" que a compõe, de que estas duas realidades podem coexistir. 

No que tange ao assunto em tela, o papel do movimento monarquista é outro dado a ser considerado. Reunido em torno da figura do ilustre Dom Bertrand, que é apresentado por  hostes de fiéis escudeiros como um homem piedoso, que mereceria a alta confiança dos católicos, o movimento monarquista se coloca, por várias razões, como alternativa para o Brasil em crise. 

A primeira razão seria institucional: o poder do Rei daria estabilidade a um país cuja era republicana foi marcada por sobressaltos, golpes, impeachments, afetando a boa ordem necessária para que o país cresça. Os elementos liberais que defendem a monarquia se pautam por essa razão. 

A segunda, defendida por elementos católicos que integram o dito movimento monarquista, seria moral: o rei, que seria ou Dom Luiz, ou Bertrand, teria o poder de influenciar positivamente o povo no sentido do temor a Deus e no da prática da verdadeira religião. 

A questão é se, sobretudo a figura de Bertrand, estaria a altura desta missão de reconduzir o país a ordem e a fé. A dúvida se adensa a medida que vemos o sr. Dom Bertrand associando-se, de modo direto, a lideranças maçônicas e a eventos maçônicos, o que provaria - para dizer o mínimo - a sua falta de compreensão do contexto real das forças políticas que nos ameaçam

Em todas as manifestações do MBL lá esteve o movimento monárquico e a figura de Bertrand. Outro membro do família real presente nelas é sr. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, um franco apoiador do liberalismo, como bem sabemos. Alguns aduzem que Philippe não representa o movimento monárquico. Que seja, mas Bertrand, sem dúvida, representa.  

Depois de frequentar eventos promovidos pelo Mises Brasil - órgão que milita pela filosofia econômica de Ludwig Von Mises que, entre outras coisas, sempre defendeu que a Igreja foi um fator de atraso para a civilização ocidental - agora eis que Dom Bertrand aparece num carro de som patrocinado pelo Avança Maçons Brasil: 



Segundo alguns elementos do movimento monárquico bertrandista, a estratégia seria usar a maçonaria como "prostituta", para implantar a monarquia e depois desfazer-se dela:





O ingenuísmo de alguns monarquistas é tamanho que ficamos deveras impressionados com ele, dado que é necessário ser muito irrealista para levar a sério esta pataquada. O mais interessante nisto tudo é que Dom Bertrand se coloca como alguém que admira Plínio Correa de Oliveira, fundador da TFP; mas vejamos o que Oliveira diz sobre a maçonaria:

"As forças propulsoras da Revolução têm sido manipuladas até aqui por agentes sagacíssimos, que delas se têm servido como meios para realizar o processo revolucionário. De modo geral, podem qualificar-se agentes da Revolução todas as seitas, de qualquer natureza, engendradas por ela, desde seu nascedouro até nossos dias, para a difusão do pensamento ou a articulação das tramas revolucionárias. Porém, a seita-mestra, em torno da qual todas se articulam como simples forças auxiliares - por vezes conscientemente, e outras vezes não - é a Maçonaria, segundo claramente decorre dos documentos pontifícios, e especialmente da Encíclica Humanum Genus de Leão XIII, de 20 de abril de 1884 19. O êxito que até aqui têm alcançado esses conspiradores, e particularmente a Maçonaria, devesse não só ao fato de possuírem incontestável capacidade de se articularem e conspirarem, mas também ao seu lúcido conhecimento do que seja a essência profunda da Revolução, e de como utilizar as leis naturais - falamos das da política, da sociologia, da psicologia, da arte, da economia, etc.- para fazer progredir a realização de seus planos. Nesse sentido os agentes do caos e da subversão fazem como o cientista, que em vez de agir por si só, estuda e põe em ação as forças, mil vezes mais poderosas, da natureza" - In:  PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA. REVOLUÇÃO E CONTRA REVOLUÇÃO ( PÁGINA 42).

O texto acima deixa clara a sagacidade da maçonaria em se valer de articulações e do conhecimento da natureza humana para atingir as suas metas revolucionárias. É EXATAMENTE ISTO QUE ESTÁ ACONTECENDO, AGORA, NO SEIO DO MOVIMENTO MONÁRQUICO BRASILEIRO!

Em suma: quem tem estrutura para tirar proveito da situação não é o movimento monárquico que não possuiu nenhuma chance, no momento presente, de instrumentalizar a maçonaria. Aliás, é verdade que muitos maçons querem a monarquia de volta e estão aptos a ajudar Dom Bertrand, mas eles a querem para porem em ação fins liberais-revolucionários. Querem uma monarquia por razões meramente institucionais e não para recatolicizar o Brasil.  

Será que Bertrand é tão pouco sagaz que nada percebe sobre esta trama? Como católicos devemos fazer o juízo mais favorável possível de um semelhante, evitando manchar-lhe a reputação se podemos admitir razões outras para suas ações que não a malícia pura e simples. Nem sempre, porém, é tão fácil fazer isso quando alguém se imiscuiu com tanta frequência com aqueles que são inimigos declarados da Igreja.  

É patente que o movimento monárquico virou, em certa medida, vetor para o filo-liberalismo maçonizante. Basta ligarmos alguns pontos: 

1- Dom Bertrand em reunião do círculo monárquico; a sua direita, Antonyo da Cruz, presidente do  Instituto Brasil Imperial, que é notório e conhecido maçom!




2- Luiz Philippe de Orleans e Bragança em evento do Avança Maçons Brasil:


3- Manifestação do dia 26/03/2017 sob os auspícios da Maçonaria:



Sobre tudo isto resta a pergunta: por que Bertrand permite que um notório maçom seja o presidente de um instituto que pretende falar em nome dos interesses da família imperial? Por quê? Isso tudo é apenas burrice, ingenuidade, ou trata-se de estratégia de usar a maçonaria para os fins bertrandistas de restaurar o Império,se valendo das Lojas? E depois de restaurado o Império? As lojas vão continuar tendo lugar no Brasil ou ele irá fechá-las (que seria o mínimo que um monarca católico precisaria fazer para honrar a fé que professa)? Como ele pretende se livrar da maçonaria depois de ter assumido enormes compromissos com ela e depois de dever à mesma a recuperação do trono? Ou ele não pretende? 

Perguntas que não querem calar. 

No fundo o que parece é que Dom Betrand está mais perdido que cego em tiroteio. Ora participa de um evento patrocinado por MBL - que apoiou a operação carne fraca no Brasil, algo que prejudica diretamente nosso agronegócio - ora protesta contra a operação pois vê nela uma conspiração de ambientalistas como ele mesmo deixou claro em seu blog(http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=1315). Ora se o MBL apoia esta operação ele não faz parte da conspiração globalista contrária a nossos interesses como nação? Então por que fazer coro com manifestações que existem justamente para que a pauta do MBL se imponha no Brasil? 


Afinal: Quo vadis Dom Bertrand? 


Rafael G. Queiroz









segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Católicos podem ser de "direita"?



Olavo (liberal-conservador) e Constantino (radical-liberal): duas figuras que exprimem a síntese que forma a nova direita brasileira. 






O Brasil vive, hodiernamente, o impacto de uma onda direitista de tom liberal-conservador: por um lado há quem defenda liberdades em termos econômicos (liberais), por outro há quem postule costumes tradicionais (conservadores); é verdade que as duas facções da nova direita se dividem em assuntos relevantes, o que mostra uma certa distinção entre conservadores e liberais; todavia é comum, sobretudo entre conservadores, a crença de que é possível aliar costumes tradicionais em termos de moral com liberdades econômicas (liberdade de empreendimento, menor intervenção do estado na atividade produtiva, comercial, bancária, etc). Do lado liberal há o repúdio a costumes tradicionais. Se os conservadores admitem as liberdades liberais na economia, os liberais não reconhecem a importância dos costumes na moral. Isso demonstra que o tom ideológico mais significativo da cosmovisão da neo-direita brasileira é a ideologia liberal: conservadores não conseguem fazer penetrar seu discurso pró-costumes entre os liberais mas são abertos ao discurso pró-liberdades dos liberais, de modo que podemos dizer, com certa segurança, que se algum dia essa nova onda vier a assumir o poder no Brasil a balança vai pender para o lado liberal; a facção conservadora ficará a reboque do mesmo. 

Assim é preciso que católicos minimante conscientes de sua fé - que deve orientar, inclusive, suas opções políticas - pensem sobre a compatibilidade dela com a onda neodireitista; afinal é possível ser católico e endossar posições comuns na direita tupiniquim? Vejamos alguns postulados dela para entender se há ou não compatibilidade entre a mesma e a doutrina da fé:

1- O Estado não deve interferir na livre associação entre os indivíduos de modo que o livre-associativismo deve ser um princípio no qual se funde a sociedade (tese liberal) 

Falso. A Igreja entende a liberdade como um dom moral: livre é o homem que age conforme a lei moral; quem se deixa levar pelas paixões é escravo. O livre-associativismo parte da premissa que o Estado não deve exercer uma vigilância moral sobre as associações. No máximo ele só poderia proibir associações se elas ameaçassem a liberdade alheia. Numa concepção católica cabe ao estado zelar pela lei moral sob a guia da Igreja devendo, portanto, proibir associações que se afastem da lei eterna. 

2- Os costumes e as convenções devem ser seguidas e respeitadas (tese conservadora)

Falso. A Igreja diferencia os costumes segundo a régua da lei eterna. Nem todo o costume é bom, mesmo os imemoriais. Um costume imemorial pode ser uma herança do pecado.  O homem está em estado de queda: nem todos os costumes herdados são expressão da verdade eterna. O cristianismo, nos seus primórdios, desafiou o costume estabelecido. Preconizava a igualdade dos homens perante Deus contra costumes escravistas que viam o escravidão como condição natural.  Um adágio conservador comum é que é preferível um diabo conhecido que outro desconhecido, para justificar a preservação de maus costumes herdados, mas que deram certo, contra inovações imprudentes que poderiam se mostrar piores que os costumes anteriores. Ora, isto é falacioso. Os reis católicos do medievo, para combater costumes pagãos arraigados, não mediram esforços para punir tais práticas com penas e multas. Danças pagãs, festividades sacrílegas, poligamia, bigamia, foram combatidas com base na lei cristã que trazia a novidade da vida em Cristo. Partindo da falsa premissa conservadora a medida mais prudente dos reis católicos teria sido permitir a continuidade destas convenções pagãs para evitar desarranjos que pudessem causar males maiores que aqueles que procuravam combater. No entanto a aplicação de leis novas e mais sábias é necessária para mudar costumes maus e pervertidos pois a sociedade não é mero arranjo político mas algo ordenado a auxiliar na salvação eterna do homem. 

3- Há direitos para os quais o principal reconhecimento público é a antiguidade – incluindo, quase sempre, direitos de propriedade (tese conservadora)

Falso. Nem sempre o que é antigo é mais sábio ou justo. A Igreja mudou a sociedade antiga, substituindo várias prescrições do mundo clássico. Muitos "direitos" de propriedade, reconhecidos pela lei positiva, são fruto direito de rapina, egoísmo, roubo e guerra injusta. Todo direito, inclusive os de propriedade, deve estar fundado na lei moral  para ser legítimo. Caso não esteja, a autoridade pública tem o direito de reformar o uso da propriedade a fim de que ela atenda melhor ao bem comum. O direito a propriedade não é absoluto. 

4- Propriedade e liberdade devem ser a base da ordem social (tese liberal)

Falso. Propriedade e liberdade devem ser reguladas e ajustadas segundo a lei eterna. Quanto mais desregulação em matéria de propriedade - logo, mais liberdade de acumular sem freios legais ou morais - mais chance de que haja concentração de riqueza e menor liberdade para quem tem pouca riqueza, trazendo, inclusive, o risco de conflitos sociais vários. Ademais, o fim a que se ordena a sociedade não deve ser meramente temporal: propriedade e liberdade são valores importantes, porém inferiores ao bem sumo que é Deus. A base da ordem social deve ser o fim último. O Estado e a sociedade devem estar ordenados a Deus. A liberdade e a propriedade, portanto, devem ser moderadas e estabelecidas como meios que sirvam para ordenar os homens a este fim último. 

5- O indivíduo é soberano (tese liberal)

Falso. A Igreja não fala em termos de indivíduo - uma abstração liberal - mas de pessoa - noção recheada de sentido moral. O indivíduo é o sujeito livre presente nas teses contratuais de Hobbes e Locke. Livre de qualquer autoridade e que entra na vida social por vontade própria a fim de atingir fins imanentes e egoístas: vida, liberdade e propriedade. A concepção católica é outra: não existiu um "estado natural" onde o sujeito era um indivíduo livre, desligado de qualquer autoridade. Desde o Éden o homem está vinculado a autoridade de Deus e de sua lei. As autoridades civis existem para assegurar que os maus sejam punidos e os bons recompensados. A pessoa é um ser moral ordenado a Deus que é seu bem supremo. O indivíduo não é a fonte da lei, nem mesmo os acordos livres entre eles podem ser a fonte última da lei. A vontade individual pode se afastar ou se aproximar da lei eterna; logo, ela não pode ser a fonte das regras civis, que precisam estar espelhadas na lei de Deus. A soberania pertence a Deus e o homem deve obediência a ele e às autoridades que lhe representam na terra, zelando pela sua lei na sociedade. A rebelião só é justa contra o tirano que se afasta da lei eterna.   

Logo concluímos que, partindo das premissas políticas do liberalismo e conservadorismo, comparadas às da Igreja, é impossível ser ao mesmo tempo católico e aderir a nova direita que se forma aqui em nossas terras brasileiras. Os católicos brasileiros, se querem contribuir para a sanidade de nossa pátria, devem formar, quanto antes, uma nova ação católica, que seja capaz de permear nossa sociedade com a doutrina de Cristo aplicada ao campo político, livre dos escolhos ideológicos da nova direita que não é outra coisa senão uma falsa solução para combater a esquerda social-progressista-coletivista.


Rafael G. Queiroz. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O semipelagianismo de Pe. Paulo Ricardo






Afinal, quem é Pe. Paulo Ricardo? Um sacerdote católico que zela pela doutrina ou só mais um herético com roupagem tradicional para melhor enganar os incautos? Cirilo de Jerusalém ensina que devemos aborrecer até os suspeitos de heresia. Pois bem: a observação que faremos sobre a doutrina de Pe. Paulo é justificada na medida em que ela se afasta da fé católica. 

Contextualizemos: num vídeo de 2012, o referido sacerdote, levanta a tese de que a imensa maioria dos protestantes não se converte à Igreja Católica apenas por ignorância. E suma: eles não teriam culpabilidade alguma nisso. A tese é interessante e bem construída. Ela parte das seguintes premissas (ou melhor dizendo, falácias): 

1- O que o protestante conhece da Igreja é uma caricatura vendida a ele por falsos pregadores que a caracterizam como mariólatra, papólatra, vendida ao mundo, corrupta, herética, contra a bíblia, etc. 

2- Eles acreditam nessa imagem e, evidentemente, se afastam daquilo que lhes parece diabólico, contrário ao evangelho de Nosso Senhor. 

3- Portanto não o fazem por malícia mas por ignorância: não tendo recebido um bom ensino, caem no erro por deficiência e incapacidade de conhecerem e discernirem o verdadeiro do falso. 

Logo, segundo o padre, a maioria dos "reformados" serão salvos pelo "oitavo sacramento", qual seja o da ignorância. 

Aqui cada um pode conferir onde e o que Pe. Paulo fala sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=yPjgEqXanuA


Pe. Paulo de forma leviana estende demais a "ignorância invencível". A Igreja admite a ignorância invencível? Sim em certos casos, mas alguns erros devem ser evitados: 

- O primeiro é o que nega uma salvação pelo batismo de desejo ( Heresia defendida pelo Pe. Fenney);

- O segundo é o que considera que essa salvação, por batismo de desejo, se dá facilmente e em casos onde o sujeito, mesmo não tendo esclarecimento das coisas divinas tem, ao menos, os meios disponíveis para se esclarecer. 

O erro de Pe. Paulo é o segundo. Semipelagianismo, ou seja, otimismo demasiado na boa vontade e boa fé de pessoas que tendo acesso a informações sobre a doutrina católica não as buscam, na verdade, por malícia. 

Sobre os dois erros disse o Santo Ofício em 1949:

"Entre as coisas que a Igreja sempre pregou e nunca deixa de pregar, está contida aquela sentença infalível que nos ensina que "fora da Igreja não há salvação". Este dogma, entretanto, deve ser entendido no sentido em que a própria Igreja o entende. Nosso Senhor, de fato, não confiou à explicação das coisas contidas no depósito da fé aos julgamentos privados, mas sim ao magistério eclesiástico...Pois, para se obter a salvação, não se exige a incorporação real (reapse), como membro, à Igreja, mas é exigido, pelo menos, a adesão a esta pelo voto e o desejo (voto et desiderio). Não é necessário que este voto seja sempre explícito, como se exige dos catecúmenos. Se o homem sofre de ignorância invencível, Deus aceita um voto implícito, assim chamado porque contido naquela boa disposição da alma com a qual o homem quer a sua vontade conforme à vontade de Deus...Estas coisas são claramente ensinadas na [encíclica de Pio XII Mystici Corporis Christi] em relação ao Corpo Místico de Jesus Cristo [...] Quase no final desta encíclica [...] convidando à unidade, com o espírito cheio de amor, aqueles que não pertencem à estrutura da Igreja Católica [o Sumo Pontífice] recorda aqueles que, "por anseio ou desejo inconsciente, estão ordenados para o Corpo Místico do Redentor"; não os exclui absolutamente da salvação eterna, mas, por outro lado, afirma que eles se encontram em um estado no qual "nada pode assegurar-lhes a salvação [...] pois que são privados de muitos e grandes socorros e favores celestes que só podem ser desfrutados na Igreja católica...Com estas prudentes palavras, desaprova tanto aqueles que excluem da salvação eterna todos os que aderem à Igreja apenas com um voto implícito, como aqueles que defendem falsamente que os homens podem ser igualmente salvos em qualquer religião...E não se deve nem mesmo pensar que seja suficiente um desejo qualquer de aderir à Igreja para que o homem seja salvo. Exige-se, realmente, que o desejo mediante o qual alguém é ordenado à Igreja seja moldado pela perfeita caridade; e o voto implícito não poderá ter efeito se o homem não tiver a fé sobrenatural" (Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston, 1949. Denzinger, 3866 -3872). 

O ensinamento é claro: "se o homem sofre de ignorância invencível"...Deus poderá salvá-lo. Mas quando ele sofre? O novo catecismo, no número 1859, tem sobre isso uma passagem interessante: 

"A ignorância involuntária pode diminuir e até escusar a imputabilidade de uma falta grave, mas supõe-se que ninguém ignora os princípios da lei moral inscritos na consciência de todo homem".

Em alguns casos a ignorância involuntária sequer elimina o pecado mas apenas reduz sua gravidade! E via de regra supõe-se que todos sabem distinguir o bem do mal, o falso do verdadeiro, e se não sabem devem buscar instrução para que saibam. Caso não busquem são culpados. 

Será que protestantes estão em ignorância involuntária? Pe. Paulo fala, até, do caso de católicos que teriam se tornado protestantes por pura ignorância sobre doutrina. Ou seja, estes teriam permanecido na Igreja por anos sem buscar esclarecimento e saíram dela quando ouviram o primeiro falso profeta lhes dizer que devoção mariana é culto a demônio, logo idolatria e satanismo. Alguém que tenha sido católico e que não tenha tido, durante a época em que o foi, o zelo de buscar conhecer a fé através de uma catequese, da leitura de obras devotas, das homilias, do catecismo romano,  pode ser mesmo tido como ignorante involuntário? Se esta pessoa nunca se interessou em saber, ao certo, o que a Igreja ensina sobre a devoção mariana, preferindo dar ouvidos a um falso pregador , ela tem mesmo boa vontade? O caso é só de ignorância inculpável? 

Se Pe. Paulo realmente crê assim então ele recaiu, evidentemente, em semipelagianismo, ou seja, ele reduziu, consideravelmente, a abrangência da ferida da natureza humana decorrente do pecado para lançar quase todo mundo num estado de bem aventurança. Parece-nos que a marmota de Pe. Paulo visa, inclusive, a legitimar o ecumenismo - que ele defende - com os protestantes. Nada melhor que "pintá-los' como gente inocente e ignorante, dotada de boa fé, para legitimar o diálogo ecumênico como se bastasse lhes mostrar o verdadeiro caráter do catolicismo para que se convertesseem 

Um índio, impossibilitado de conhecer a Igreja, estaria em estado de ignorância invencível. Um hotentote da selva africana idem. Um aborígene australiano também. Nunca, porém, um protestante ( a não ser que ele sofra de problemas mentais que impossibilitem o reto uso da razão) . Por várias razões: 

1- Um protestante não pode alegar ignorância invencível para conhecer a Igreja verdadeira, pois tem muitos meios de estudar as origens históricas do protestantismo, e a vida de Lutero, assim como os seus escritos, tomando ciência de que Lutero ensinou que se deve “Crer firmemente, e pecar muitas vezes”. Lutero ensinou a tese da santidade do pecado. E isso vai diretamente contra o que o protestante lê em sua Bíblia.

2- Todo protestante lê a Bíblia. Ora em São Paulo ele lê que “a Fé vem pelo ouvido”(Romanos 10, 17). E a fé do protestante vem pelos olhos, pela leitura da Bíblia. 

3- Na Bíblia, o protestante lê que Jesus disse: “Ide e ensinai”(São Mateus, XXVIII, 19). Cristo não disse: “Ide e imprimi”, "ide e vendei bíblias". Isso não existe na Bíblia.

4- Na Bíblia, o protestante lê que não adianta ler a bíblia, pois o escravo da raínha de Candace,quando o diácono Felipe lhe pergunta: “Compreendes o que lês?,respondeu:” Como poderei compreender, se não houver alguém que mo explique”(Atos dos Apostolos, VIII, 30-31). Logo, o protestante lê, na Bíblia, que não adianta só ler a Bíblia, se não houver alguém - ou seja a Igreja - que a explique, ensinando.

Etc. 

De modo que nenhum protestante pode ser salvo. Se Pe. Paulo Ricardo crê assim, então ele não é católico. 


Rafael G. Queiroz. 








segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Anticomunismo não basta pra ser bom católico




Um ensinamento claro sobre o engano de alguns setores neoconservadores católicos, dado pelo padre Luiz Cláudio Camargo da FSSPX, sobre a posição do Pe. Paulo Ricardo, um notório crítico do comunismo mas por um viés olavista e liberal:



[A] condenação (ou não) do comunismo, mesmo com toda a sua urgente atualidade e inegável conveniência, é problema menor no Vaticano II. Essa ausência de condenação [...] é um indício evidente da mentalidade não católica que reinou no Vaticano II. Certamente não é possível ser católico e ai mesmo tempo aprovar o comunismo, nem teórico nem prático. A Igreja já o condenou solene e definitivamente várias vezes. Já ensinou pelo seu Magistério autêntico que esse pensamento é incompatível com a Fé católica. Isso é certíssimo e qualquer católico sabe disso, ou deveria saber. Mas - esta é a primeira observação que queria fazer - não basta ser anticomunista para ser católico. O anticomunismo não é o critério último e definitivo do catolicismo autêntico. É possível, apoiado numa doutrina liberal também condenada pela Igreja, reprovar o comunismo. É possível ser anticomunista e estar completamente fora do pensamento da Igreja." - Padre. Luiz Cláudio Camargo (FSSPX) / Revista Permanência.